Vocação incentiva a superação de desafios

Há um ano e meio como operadora de usina júnior na usina termelétrica Energia Pecém, em São Gonçalo do Amarante, a jovem de 22 anos, Nayane Miranda, está acostumada a ambientes tidos como masculinos, pois atuava como projetista em obras de construção civil. Atualmente cursando o terceiro semestre de engenharia elétrica, ela diz se achar o "máximo" por ser mulher e trabalhar na área elétrica.
"Sinto-me muito motivada porque gosto disso. Pra mim é algo muito bom. Meus colegas de trabalho são como irmãos", conta, valorizando a relação que possui com eles. Na operação, são mais de 140 pessoas e apenas três são mulheres.
Nayane considera ainda que, para atuar na sala de operação, o fato de ser mulher ajuda na organização dos processos e ela, particularmente, é muito detalhista na função que desempenha. No campo, no entanto, não existe diferenciação. "Até porque ali é preciso ter conhecimento e força física", afirma.
O trabalho também é motivo de estranhamento pela família dela, que ainda não se acostumou. Já os amigos não compreendem os turnos, às vezes manhã, tarde ou noite.
Área elétrica
A operária saiu do emprego na construção civil para fazer o curso de formação que a Energia Pecém ofereceu na Universidade de Fortaleza (Unifor). Depois de um período apareceu a oportunidade de trabalhar na empresa. Já tinha experiência no segmento aos 16 anos.
"Eu sempre gostei de eletrônica de potência. Qualquer coisa que acontece tem um efeito enorme para o País. A gente sabe que está fazendo uma grande diferença para milhões de pessoas", conta, valorização a importância da profissão.
Experiência
Quando começou na Energia Pecém não sabia como ia ser. Foi trabalhar em operação de campo, diretamente na caldeira. "Um operador de usina tem de saber atuar em todas as áreas: caldeira, moinhos, insumo, turbina, além de fazer treinamentos de brigadas, primeiros socorros e segurança", relata sobre os meandros necessários da função que exerce.
Após oito meses trabalhando em campo foi para sala de controle, mas se for preciso, garante que não se nega em voltar a campo. "Neste caso, tenho que pegar ferramentas e ajustar equipamentos, até usar pá para retirar material", conta.
Ela diz ainda que o fato de ser mulher nunca representou qualquer diferenciação na atividade em todos os anos de trabalho. "Existem pessoas que queiram diferenciação, mas eu nunca gostei disso. Às vezes, aparece gente querendo fazer alguma atividade mais pesada no meu lugar, mas se acontecer algum problema com a pessoa eu me sentiria muito mal", confessa.
Ambiente de trabalho
Nas relações com os colegas considera que todos são seus "brothers". Fazem brincadeira como em qualquer empresa, mas sem incluir gêneros. "Me respeitam muito até porque passamos muito tempo juntos desde o treinamento", diz.
Por ter que usar uniforme, capacete, máscara e luvas, e às vezes até macacão, dentro do ambiente de trabalho Nayane considera que não dá para perceber que ela é mulher. Assim, se sente vaidosa apenas fora do trabalho. Na bolsa, além dos objetos pessoas carrega uma calculadora científica e livro de procedimentos. (CK)