Tancagem do Mucuripe em debate pelo Coinfra, na Fiec

A problemática da tancagem instalada na região do Mucuripe foi debatida, ontem, durante reunião do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra), da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Os diretores da Companhia Docas do Ceará, César Augusto Pinheiro e Mário Jorge Cavalcanti Moreira, participaram do encontro e reconheceram o problema da defasagem e da depreciação do parque do Mucuripe, mas trouxeram novos argumentos à discussão. Segundo eles, o risco maior está ligado ao transporte do combustível e não ao armazenamento. “Nunca houve um acidente na área dos tanques no Mucuripe. Só em 2016, já foram oito caminhoneiros mortos, transportando combustível nas estradas”, disse Mário Jorge.
O aprofundamento do debate, segundo eles, é urgente e deve ser mais plural, incluindo todos os atores envolvidos na questão como os distribuidores e a própria Companhia Docas, sob pena de Fortaleza enfrentar um colapso no abastecimento de combustível. Eles propõem que haja uma adequação na estrutura atual, até que uma solução definitiva seja construída a partir de um diálogo mais amplo com toda a sociedade. Os diretores criticaram a maneira “impositiva” como o assunto é conduzido pelo Estado, desde que a problemática começou a ser publicamente tratada.
Em relação à saída dos tanques do Mucuripe para o Pecém, os diretores afirmaram que não são contra a medida, porém sugerem que seja feita de forma planejada. “Essa questão é antiga. Quanto tempo será necessário, ainda, para que o parque saia do Mucuripe? Como será feito isso? Eu, Companhia Docas, preciso me preparar. Outra coisa, se é para sair de lá sob o argumento da segurança, tem que sair tudo, integralmente, incluindo o GLP. Precisamos considerar também a existência da Lubnor, que produz o asfalto que abastece Ceará, Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco”, ponderou César Pinheiro.
Impactos
Outro ponto discutido foi o preço da gasolina, que segundo os diretores é diretamente impactado pela tancagem insuficiente. “O Ceará, depois do Acre, é o estado onde a gasolina é mais cara, já que 30% do nosso combustível vem do Maranhão ou de Pernambuco, de caminhão, o que implica também na perda de receita para o Estado”, lembraram. Eles citaram, ainda, o caso de um distribuidor que desmobilizou toda a sua estrutura de tanques com a garantia da saída para o Pecém. Como isso não ocorreu, está pagando aluguel no tanque de outro distribuidor para armazenar o seu combustível, o que acaba aumentando o valor repassado aos clientes.
Além disso, sem a tancagem suficiente, um navio que chega ao porto com 30 mil toneladas de combustível, por exemplo, só pode descarregar o limite de 20 mil toneladas. E fica esperando que 10 mil toneladas sejam transportadas do tanque, via terrestre, até que a embarcação possa atracar novamente e descarregar o combustível restante.
O custo de manter esse navio parado fica com o distribuidor que, por sua vez, o repassa aos consumidores. “A questão é: não se pode manter como está hoje, mas não se define como será a saída. Enquanto isso, os consumidores vão pagando o preço. É preciso haver um planejamento estudado, chamando para o diálogo todos os envolvidos para encontrar a melhor saída”, destacou Mário Jorge.

Fonte: O Estado