A companhia é uma das maiores fabricantes de pás para aerogeradores de energia eólica do mundo e estreia na bolsa na próxima quarta-feira (11)
Termina nesta sexta-feira (6) o período de reserva para pequenos investidores comprarem ações da Aeris antes da estreia na bolsa, prevista para a próxima quarta-feira (11), com o código "AERI3". A companhia é uma das maiores fabricantes de pás para aerogeradores de energia eólica do mundo.
A empresa possui duas unidades industriais e exporta grande parte da produção. No Brasil, a Aeris tem participação de 69% do mercado e, no mundo, espera-se que a fabricante de pás eólicas alcance 8% de participação de mercado, desconsiderando o mercado chinês, de acordo com o relatório Wood Mackenzie.
No primeiro semestre deste ano, a companhia teve receita de R$ 803,4 milhões, com crescimento anual de 137,3%. O lucro foi de R$ 41,1 milhões, com expansão de 101,9%.
A casa de análises independente Eleven Financial recomenda não entrar na oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês). Na avaliação dos analistas, considerando a faixa indicativa de preço no IPO, entre R$ 6,50 e R$ 8,10, não há potencial de alta em relação ao piso indicado na oferta.
A casa afirma que o maior mérito da Aeris é a sua capacidade de executar pedidos dos seus clientes com alto nível de qualidade e eficiência operacional dentro do prazo contratado. "Apesar de ter apenas dez anos, o seu histórico no mercado mostra que a empresa foi bem-sucedida em termos operacionais", dizem analistas em relatório.
Porém, a partir de 2021, seu volume de produção irá dobrar e a operação tende a ficar mais complexa, segundo a Suno. Na avaliação da casa, a produção de pás eólicas é um negócio de margem relativamente baixa e não existe espaço para imprevistos.
"A nossa expectativa é de que o mercado de energia eólica passe por compressão nas margens operacionais nos próximos anos", dizem os analistas. "A Aeris tem apenas cinco clientes e não desenvolve tecnologia de produto, mas apenas o processo produtivo, uma vez que são os seus clientes que desenvolvem as pás. Portanto, a empresa pode apresentar vulnerabilidade durante períodos que envolvam mudanças em termos de concorrência."
O que diz a Suno
A casa de análises Suno Research também não recomenda a entrada no IPO da Aeris, "devido à ausência de ampla margem de segurança no 'valuation' e aos riscos de a dinâmica competitiva do setor desfavorecer a Aeris".
Entre os fatores de risco, os analistas destacam que a receita da companhia está concentrada em poucos clientes, porque o setor em que a empresa atua tem essa característica. Com isso, caso algum cliente deixe de consumir os produtos da Aeris ou caso o cliente não tenha como arcar com suas obrigações, haverá uma perda significativa de receita pela empresa.
A casa também ressalta como risco a concentração geográfica da operação. Atualmente, a Aeris possui duas unidades fabris, ambas localizadas no Complexo Industrial e Portuário Pecém, no Ceará. A escolha do local da construção de suas fábricas foi majoritariamente logística, uma vez que o Nordeste tem grande capacidade eólica, bem como a proximidade do Porto do Pecém para a exportação de suas pás.
Assim, caso ocorram desastres naturais, paralisações, greves ou acidentes no Porto do Pecém, suas operações podem ser interrompidas e gravemente impactadas.
Porém, a Suno afirma que aprecia o histórico de resultados da Aeris, a sua gestão e a capacidade de crescimento do setor no qual ela está inserida.
Mais sobre a oferta
A oferta é primária, quando são emitidas novas ações e o dinheiro vai para o caixa da empresa, e secundária, quando são vendidas ações já existentes e o dinheiro vai para o bolso dos acionistas.
Com o dinheiro captado na oferta primária, a Aeris pretende expandir a capacidade produtiva e modernizar as atuais instalações fabris e os processos de apoio a produção, além de reforçar o capital de giro. A fabricante de pás eólicas também planeja fazer o pagamento antecipado de dívidas, no valor estimado de R$ 189 milhões, com diversos bancos.
Já os recursos captados na oferta secundária serão repassados aos acionistas vendedores. Os principais acionistas são Alexandre Funari Negrão, que tem uma fatia de 70,29% e pode cair para até 48,30% se forem exercidos os lotes adicional e suplementar; Vera Sarnes Negrão, com 4,95% e que pode cair para até 3,40%; e Alexandre Sarnes Negrão, que tem 4,95% e pode cair para 3,40%.
Para fazer a reserva de ações da companhia, basta avisar a corretora sobre quantos papéis o investidor gostaria de comprar na oferta. O valor mínimo para participar da primeira venda de ações da empresa é de R$ 3 mil, e o máximo, de R$ 1 milhão. A vantagem de investir antes da estreia da Aeris na bolsa é a chance de conseguir um preço mais barato pelo papel.
A fabricante de pás eólicas vai fixar o preço por ação na próxima segunda-feira (9). Nas ofertas de ações, as empresas e os bancos coordenadores testam uma faixa de preço. Se a venda aconteceu no valor mais alto, significa que a demanda pelos papéis foi grande. Já se a venda aconteceu no valor mais baixo, significa que a demanda pelos papéis foi pequena.
Considerando o meio da faixa indicativa, de R$ 7,30, e o número de 176.923.070 ações da oferta base, a operação pode movimentar R$ 1,291 bilhão. Há ainda possibilidade de um lote adicional de até 20%, ou 35.384.614 ações, e lote suplementar de até 15%, ou 26.538.460 ações. Nesse caso, ainda considerando o meio da faixa indicativa, a oferta total subiria para R$ 1,743 bilhão.
A operação é liderada por BTG Pactual, XP Investimentos, Morgan Stanley, Santander, Citi e Safra e será liquidada na próxima quinta-feira (12).
Fonte: Valor Investe