São Paulo. O Itaú Unibanco fez um levantamento e descobriu que países que passaram por uma recessão forte como a atualmente vivida pelo Brasil crescem, em média, 4,7% ao ano nos três anos de retomada pós-crise. Considerando apenas os emergentes, a média é ainda maior, de 5,9%. Já analisando apenas a média da América Latina, o crescimento é de 5,1%.
"É comum ver países que passaram por recessões fortes crescerem a ritmos elevados nos anos seguintes", diz o banco em relatório. "O Brasil no atual ciclo possui alguns elementos semelhantes aos países que tiveram uma retomada mais acelerada, como a depreciação cambial. Esperamos que, caso o processo de ajustes econômicos - principalmente no âmbito fiscal - continue ganhando forma, o País possa voltar a ter taxas de crescimento mais fortes", acrescenta. Mesmo assim, considerando as projeções macroeconômicas do Itaú, o Brasil só recuperará o nível pré-crise em 2019.
Análise
Usando os dados do Banco Mundial desde 1980, o Itaú analisou 26 países, com 34 casos de recessão profunda. Essa definição considera dois anos seguidos de queda no PIB, com contração acumulada superior a 5%. Em média, as recessões duram 3,6 anos e os países levam 4,6 anos para recuperar o nível do PIB pré-crise No primeiro ano pós-recessão, o PIB geralmente sobe 4,4%, avançando 5,1% no segundo ano e 4,7% no terceiro, chegando à média de 4,7%.
O Itaú também correlacionou algumas variáveis econômicas ao desempenho do PIB nesses casos de forte recessão. No caso dos juros reais, por exemplo, os países onde os juros caíram nos cinco anos após o início da crise tendem a apresentar contração menor e crescimento consideravelmente mais forte na retomada. Já no câmbio, se recuperaram mais rapidamente países que experimentaram uma depreciação na taxa de câmbio real.
Histórico
Especificamente sobre o Brasil, desde 1980 não houve um caso de contração de dois anos seguidos no PIB fechado do ano - o único registro desse tipo é de 1929. Entretanto, na recessão intermitente observada entre 1981 e 1983 o PIB registrou uma queda acumulada de 7,1%. Nos três anos seguintes, a expansão média anual foi de 7,1%. Já a recessão iniciada em 1989 e concluída em 1992 apresentou queda acumulada de 2,1%, ou seja, não se encaixa na definição de crise profunda.
O Brasil teve ainda outros quatro casos de recessão desde então, mas que duraram menos de dois anos.
Fonte: Diário do Nordeste