Dez empresas assinam protocolo com a ZPE

Castro, voltaram sábado do Espírito Santo, depois de assinar o protocolo de intenção para a instalação de dez empresas de granito na ZPE. Essas empresas já tinham solicitado área, como foi anunciado pelo O POVO na última sexta-feira. A tendência agora é de dobrar a quantidade de companhias do setor na área alfandegada.
Com uma vocação exportadora comprovada, o segmento de granito deve ser o próximo, depois do siderúrgico, a se instalar na ZPE. Todas as empresas que solicitaram terreno na área alfandegada possuem mercados conquistados para exportação, portanto, não teria dificuldade de se inserir no contexto internacional, o que facilita os processos.
Essas empresas, sendo aprovadas dentro da ZPE, terão que abrir novo CNPJ para se instalarem na área alfandegada. A redução dos custos para as companhias deve ser significativa. Várias delas possuem lavras no Ceará e transportam o granito até o Espírito Santo para beneficiá-lo e exportá-lo. Com a instalação dessas companhias na ZPE, essas despesas serão eliminadas – isso sem falar nos benefícios fiscais.
Com a ida do setor de granito para a ZPE, deve ir mudando gradativamente o perfil das empresas na área, com uma diversificação maior de atividades.
BENEFÍCIOS 1
DIVISÃO EM QUATRO ÁREAS
A ZPE deve ser dividida quatro em áreas: siderúrgica (que já funciona com a CSP, Vale, White Martins e Phoenix); granito; petroquímico; e diversos (entrariam as demais atividades). No momento, a direção da ZPE pleiteia a incorporação de terreno de 1.980 hectares, que era destinado à refinaria e que ficará disponível para outras atividades a serem incorporadas.
BENEFÍCIOS 2
PRODUTO PARA EXPORTAÇÃO
A montadora chinesa Zotye assinou no ano passado a compra da fábrica de jipe TAC Motors, localizada em Sobral. A negociação, entretanto, é muito maior: há a possibilidade de a empresa montar uma unidade de montagem de veículos na ZPE, destinada ao mercado externo.
EMPRESAS 1
APETITE DOS FUNDOS
“PRIVATE EQUITY”
A economia patina, derruba o apetite dos fundos “private equity”, mas as negociações de venda de participações em empresas continuam acontecendo. Mesmo com o cenário nebuloso, consultores afirmam que há uma boa procura por companhias nacionais.
O rebaixamento da avaliação internacional brasileira por agências de risco derrubou parte dos preços, mas não diminuiu o interesse de fundos de investimentos. O empresário Deusmar Queirós, da Pague Menos, conta que assinou com o fundo General Atlantic no momento que o Brasil perdia o grau de investimento.
Ele relata publicamente que pensou na época que isso seria um entrave ao processo de negociação, mas não foi o que aconteceu: “O fundo queria 20% e nós queríamos vender 14%; ficamos em 17%”.
EMPRESAS 2
SAÚDE E VAREJO NA PRATELEIRA
O economista José Maria Porto, da Valorize Consultoria, conta que tem trabalhado com a Padilha Associados em vários projetos de venda e participação de fundos de “private equity” em empresas do Ceará.
As áreas de saúde e varejo são as que mais chamam a atenção dos investidores. “Eles querem companhias com histórico, em fase operacional”, acrescenta. O olhar dos analistas para esse tipo de negócio não está centrado no nome ou na gestão do presidente da República, mas no potencial de negócio oferecido pelo setor em que a empresa está inserida.
Se há mercado de consumo e a empresa está bem organizada, as chances de sucesso nas negociações são maiores.
EMPRESAS 3
MATURIDADE EMPRESARIAL
A entrada de sócios nas companhias cearenses, na avaliação de José Maria Porto, representa uma “questão de maturidade”. Ele explica que as empresas mais longevas normalmente são mais abertas a processos de mudanças e à entrada de novos parceiros, que levam não só capital, mas também tecnologias de gestão.