Ainda não é tempo de baixar a guarda

COMPLEXO DO PECÉM
Em operação desde 2002, o Porto do Pecém entra em fase conclusiva da sua terceira ampliação - dado, que por si, evidencia a viabilidade do projeto. E nessa trajetória já é possível anotar conquistas importantes: a atração de grandes empresas, entre as quais a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP); e a Zona de Processamento e Exportação (ZPE) - a primeira a entrar em operação no Brasil.
Some-se a isso a intenção do porto holandês de Roterdã, um dos mais importantes do mundo, em estabelecer parceria/investimento no Pecém.
São múltiplos os indicadores de confiança dos investidores no potencial do Complexo do Pecém, com desdobramentos tanto na área econômica quanto social.
Na área econômica, o consórcio formado pelas sul-coreanas Dongkuk e Posco e a brasileira Vale do Rio Doce já aportou R$ 15 bilhões para consolidar a Siderúrgica do Pecém - que antes de completar um ano de atividade gera mais de cinco mil empregos diretos; e pode incrementar em 50% o que a indústria cearense produz.
No aspecto social, outros indicadores importantes. Para o período 2011 e 2016, é estimado crescimento de 44% acima da média estadual da população do município de São Gonçalo do Amarante, onde está sediado o Complexo do Pecém, e diminuição da mortalidade infantil em 46%. E o PIB per capita municipal, no mesmo período, avança de sétimo para segundo lugar no Ceará.
O Complexo do Pecém e a CSP já estão, portanto, produzindo efeitos positivos para São Gonçalo do Amarante, Caucaia e cidades próximas. E pode irradiar benefícios para muitos outros municípios cearenses, na medida em que o Estado passa a ter maior capacidade de arrecadação de tributos e, consequentemente, de investimento em áreas sensíveis - segurança pública, saúde, educação...
Apesar desses avanços, é cedo para pensar que a missão está cumprida e que o dinamismo que os cearenses esperam do investimento no Complexo Industrial do Pecém virá de forma automática.
Ainda é necessária atenção a questões complementares de infraestrutura; otimizar o papel de vetor da ZPE no processo da produção/exportação cearense; além de maior integração social com as populações locais e atenção ao desenvolvimento urbano daquela região.
Enfim, temos grandes oportunidades. Contudo, para aproveitá-las de forma plena, é preciso continuar perseverando e fortalecer o foco das ações de governo relacionadas ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém e seu entorno. Ainda não é momento de baixar a guarda.
Francisco de Queiróz Maia Júnior
Secretário do Planejamento e Gestão do Ceará