Desde junho deste ano, a região do Pecém vem exibindo uma alternativa inovadora e sustentável adotada por algumas empresas que habitam o entorno. Isso porque a EDP e Eneva desenvolveram juntas, em parceria com a Universidade Federal do Ceará, a primeira estrada de cinzas de carvão no estado, reaproveitando os resíduos produzidos nas termelétricas locais, trazendo, além da redução dos impactos ambientais e custos para os grandes construtores, ganhos incalculáveis para o meio ambiente.
A via possui uma extensão de 1,3 quilômetros e 12 metros de largura, utilizando as cinzas em duas camadas que formam a base da estrada. Em uma delas, as cinzas substituíram 50% de solo comum e, na outra, representam 95% da composição. Os cálculos da pesquisa demonstram que a utilização das cinzas de carvão mineral tem um custo 6% menor, quando comparado ao material comum, e equivale a economia de aproximadamente R$ 58 mil, em cada quilômetro construído. Ao todo, o estudo levou cerca de dois anos para ser executado e é a primeira vez que esse tipo de aplicação é utilizado fora de ensaios laboratoriais.
Segundo Daywison Santos, gestor de processos químicos, a nova alternativa de utilizar as cinzas de carvão mineral na construção das estradas promete trazer vários ganhos ambientais para todo o Pecém, tendo em vista que o Complexo Termelétrico produz cerca de 18 mil toneladas de resíduos por mês, o suficiente para pavimentar toda a região e poupar os recursos naturais. “Esse novo processo faz com que as indústrias deixem de extrair material natural da natureza e passem a utilizar as cinzas, dando um destino mais nobre para esses resíduos e trazendo ganhos para o meio ambiente e construtores”, explica.