Apesar do leve avanço, produção registrou queda de 3,4% no primeiro mês do ano ante dezembro
Pelo menos seis setores importantes para o Estado apresentaram alta, entre eles estão o têxtil, o calçadista e o de alimentos ( Foto: Kid Junior )
Fortaleza/Rio. Após registrar 11,6% de alta em dezembro, a produção industrial do Ceará apresentou queda de 3,4% em janeiro ante o último mês de 2016. Entretanto, na comparação com igual mês do ano anterior, o resultado foi de crescimento de 0,4%, o segundo consecutivo. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada ontem (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o economista da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Guilherme Muchale, a variação negativa de janeiro ante dezembro não representa necessariamente um resultado ruim. "É um resultado de curto prazo, consequência da variação melhor do que o esperado em dezembro", afirma.
Ele fala ainda que a comparação do índice atual com o resultado de janeiro do ano passado comprova isso. "Houve um crescimento de 0,4%. É um primeira notícia positiva", destaca. O acumulado da produção industrial dos últimos 12 meses continua negativo: -4,1%.
Guilherme frisa ainda que essa alta não foi concentrada em apenas um setor. "Pelo menos seis setores muito importantes no Estado apresentaram alta: têxtil, calçadista, de alimentos e vestuário. São áreas com impacto social muito forte, pois parte substancial dos empregos vem delas", acrescenta.
O resultado de janeiro foi o segundo consecutivo, revertendo a retração do último trimestre de 2016 (-3,8%). Muchale, entretanto, acredita que ainda devem vir algumas retrações pela frente. "Não acho que deva ser um resultado repetido em todos os meses, porque estamos saindo de uma recessão econômica, então é normal ter meses de alta e outros de queda, ainda há uma instabilidade", pontua.
Ele diz ainda que os primeiros pontos a se recuperarem se referem ao volume de produção e o faturamento. "Isso se concretizando até o final do primeiro semestre, o mercado de trabalho talvez volte a crescer no fim do ano", projeta. Ele expõe que há essa demora porque os empresários só voltam a contratar quando tem a certeza de que estão em outro patamar de produção. "Para crescimentos pontuais, normalmente se recorre a outras opções para suprir essas demandas extras", finaliza.
Brasil
A produção industrial caiu em cinco dos 14 locais pesquisados na passagem de dezembro de 2016 para janeiro. Houve alta de 1,0% em São Paulo, o principal parque industrial do País.
Além do resultado negativo do Ceará, outras quedas foram observadas na Bahia (-4,3%) e no Rio Grande do Sul (-3,1%). Também houve baixa em janeiro o Paraná (-0,8%) e a Região Nordeste (-1,8%). A média da indústria em janeiro ante dezembro foi de uma queda de 0,1%.
Fonte: Diário do Nordeste